domingo, 18 de novembro de 2012

Molho sugo: sabor incontestável!


Cássico molho sugo, pomodoro ou ragù semplice alla napoletana
Algumas combinações gastronômicas parecem obvias demais, e não deixam de ser (um certo Déjà vu ou, melhor: L'ho visto). Mas, diante de algumas combinações, não há como titubear. E o incontestável molho sugo está entra estas. Una pasta con salsa di sugo! Vermelho pegajoso, encorpado pela morosa cocção e, para completar, finalizada com nacos de alhos picados grosseiramente, dourados em pouco azeite, e, posteriormente, agregados, à delícia.
Elementos simples, que transformam uma simples refeição em um verdadeiro banquete.
Ingredientes: Porção para duas pessoas
- 250 gramas de massa seca – no caso farfalle
- 200 ml de molho sugo
- 4 dentes de alho picados grosseiramente

- 2 colheres de sopa de azeite de oliva para dourar os nacos de alho
- um punhado de parmesão ralado sobre a massa já finalizada
- folhas de manjericão rasgadas sobre a massa e usadas na decoração

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Na churrasqueira


Costeletas de porco, linguiça e mini abóboras grelhadas
 Costelinha e lingüiça, a dupla de aperitivos preferida pelos brasileiros
Difícil imaginar outra forma de encontros gastronômicos tão amplamente praticados no país como os realizados em torno de uma churrasqueira. Dos amantes das carnes, passando pelos vegetarianos, até os que só curtem o clima de passar horas ao redor de uma grelha o churrasco é unanimidade.
Lingüiças diversas, costelinhas de porco, aves, peixes, legumes e queijos de textura firme, como o de coalho, caem bem sobre uma grelha. E não precisa muita pompa para o resultado ser surpreendente. Latões e assadeiras aliados a uma grelha, que pode ser até a do forno do seu fogão podem ser os instrumentos perfeitos para o preparo de delícias grelhadas.
Entre os legumes, a berinjela e a abobrinha fatiadas em finas lâminas, besuntadas com azeite e rapidamente colocadas sobre a grelha quente, se tornam entradas perfeitas. Para acalentar a fome dos carnívoros, já que churrasco exige paciência, espetos de lingüiça são perfeitos.
Para assar as carnes que pedem mais tempo de cocção, como aves e carne de porco, o bom mesmo é marinar antecipadamente com ervas adequadas a cada tipo, acender as chamas com antecedência, deixando-as queimar um pouco, e colocá-las por primeiro, pois o cozimento é mais moroso. Assim, não irão queimar, mas sim cozinhar de maneira uniforme por dentro e por fora. Enquanto isso, legumes e lingüiça acalentam a fome.
Costeletas de carneiro são deliciosas paras estas ocasiões. Para facilitar, prepare uma mistura de ervas com folhas de menta, alecrim, dentes de alho, suco de limão e azeite (1/3 do suco para a quantidade de azeite que for usar), uma pitada de cominho e sal. Amasse bem e besunte a peça inteira, com as mãos. Coloque o naco de carneiro numa assadeira, cubra com papel alumínio e asse por 30 minutos. Depois, finalize na grelha para adquirir aquela crocância.
filé de robalo grelhado, com crosta chips

Já para as costelas de porco, basta alecrim fresco, sal e duas horas de grelha, com parte da gordura para baixo (preserve a pele para degustar a famosa pururuca). Uma hora de cada lado, virando de 30 min.
E, para finalizar, churrasco tem dicas básicas, mas não tem regras. Basta paciência, apetite e bons ingredientes.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Nobre limão



Limão siciliano assado

O limão siciliano é refrescante, torna a comida leve e assume características múltiplas em seus mais variados usos
Das cerca de 70 variedades de limão que existem no mundo, as mais conhecidas dos brasileiros são o taiti, o galego e o siciliano. Este, com sabor menos cítrico se comparado ao dos seus concorrentes, é ingrediente versátil na cozinha. Pode ser protagonista, personagem principal e até o palco para outros sabores, como no caso dos limões assados.
Neste caso, as cascas não são comidas, mas seu aroma impregna os recheios colocados no seu interior. Após a remoção das suas extremidades para que se mantenha firme durante a cocção e, posteriormente, no prato, o limão é cortado ao meio e seu miolo removido com uma pequena faca. Depois, é recheado com queijos cremosos (como catupiry, mussarela de búfala, entre outros), nacos de anchovas, tomates picados, e outros componentes variados, que vão absorver o delicioso sabor da fruta enquanto assa. Esta já é uma das especialidades preparadas pelo habilidoso cozinheiro Luis Krassuski.
Ceviche do Krassuski
Há também as cascas de limão siciliano cristalizadas  e o legendário limoncello, também produzido com os nacos externos desta espécie, mas com a remoção de todas as partes brancas. Já os seus gomos podem ser usados para a confecção da marmelada de limão.
As suas raspas finalizam receitas de massas, risotos e carpaccios; incorporam seus sabores em camarões grelhados; ou, ainda, emprestam seus aromas na própria elaboração da pasta quando suas raspas são agregadas aos ovos e farinha. Seu suco....bom, o que seria do Ceviche, sem seu sabor refrescante e delicado, ou de molhos elaborados com doses acentuadas deste precioso líquido. 
Sem desmerecer os frutos da nossa terra, mas o fato é que o siciliano é o único limão  designado como a fruta verdadeira ou original por não ser híbrida, como o Taiti, composto da lima de pérsia com o limão cravo.


Receita
500 gramas de robalo cortado em cubos (ou outro peixe branco, firme)
250 gramas de camarão médio, cozidos rapidamente no vapor
150 gramas de mariscos, pré-cozidos e tirados da casca
1 polvo pequeno, com tentáculos cortados em cubos médios, no ponto de que os tentáculos fiquem inteiros (para cozer o polvo, o tempo depende do tamanho do molusco. Pode ser cozido no seu próprio caldo, com temperos, que preservam ainda mais a cor e sabor do polvo)
sulco de cinco limões sicilianos
1 pimentão amarelo cortado pequenos cubos (brunoise)
3 cebolas roxa cortada ao meio, depois em finas fatias uniformes (julienne)
1 punhado de coentro picado
3 colheres de gengibre bem moído
pimenta do reino
sal
1 dente de alho bem moído
 Modo de preparo
- tempere o peixe com o sulco de limão, pimenta do reino, alho e sal. Misture bem para que o robalo absorva bem todos os sabores.
- adicione os demais frutos do mar, a cebola e o coentro. Agrega novamente todos os elementos.
- coloque no refrigerador, para que alcancem uma temperatura de quase congelamento
- Retire do congelador e deixe na geladeira até o momento de servir. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Massa fina

Raviolis finalizados com alho poro e raspas de limão siciliano
Os sabores característicos da festejada culinária da Itália ficam por conta das ervas frescas
Ravioli na manteiga de sálvia e regados com sugo
Nada pior do que degustar uma massa recheada com o paladar a demorar para sentir o sabor do seu interior. A delicadeza de um prato servido com pequenas delicias, como raviolis, capeletis....fica por conta da espessura, que deve ser extremamente fina, com abundância de recheio. Em busca de massas para todos os gostos, ao melhor estilo italiano, raviolis de mussarela de búfala com basílico da Ligúria, finalizadas na manteiga de sálvia e servidas com raspas de limão siciliano e parmesão. Para complementar os sabores característicos da festejada culinária da Itália, pomodoro recém preparado, como manda o figurino.  Para finalizar, um pouco de manteiga, azeite de oliva e um punhado de sálvia fresca. Basta retirar as delícias da panela onde estão sendo cozidas e colocá-las direto na frigideira de ervas e deixá-las dourar por 1 minuto de cada lado, virando cuidadosamente. A dica para o interior dos nacos de massa ganharem mais consistência é agregar folhas de basílico picado ao queijo.  As massas podem ser levadas à panela com água salgada fervente direto do freezer, apenas requer dois minutos a mais para a cocção.  
Raviolis dourados na manteiga com sálvia
recheio de mussarela










Massa- 200g de farinha de trigo - 200g de semolina - 5 ovos caipira. Misture bem as duas farinhas, abra espaço no centro e adicione os ovos. Mexa bem, amasse até obter uma boa consistência. Envolva em filme de pvc e deixe descansar na geladeira por pelo menos 30 minutos.

sábado, 27 de outubro de 2012

Viva os Fiori dell’amore!!!



Datas comemorativas merecem ser lembradas. Afinal, um motivo especial - mesmo não recordado, mas comemorado pela maioria das pessoas - está intrínseco no contexto. Sejam efemérides da literatura, arquitetura, caçarolas......... Mas, celebrações à parte, as massas têm lugar à mesa todos os dias. Desta feita, as finas lâminas de farinha e ovos foram moldadas em formatos de flores e recheadas com carne desfiada, com um leve toque de nata (ou ricota) para dar liga ao recheio.
Para finalizar o prato, alho poró e manjericão dourados no azeite e manteiga, com as gostosuras saindo do cozimento direto para as ervas e vegetais. E, no prato, raspas de limão siciliano e tomilho limão.
Recheio de carne
(40 raviolis, em formato de fiori, com cerca de 40 gramas cada)
- 1 peça de patinho, com cerca de 400 gramas, livres de todas as nervuras, e cortadas em pedaços grande. Para esta quantidade, cerca de quatro nacos da carne.
- 3 cebolas médias cortadas ao meio e depois em quatro
- 2 dentes de alho inteiros;
- 1 bulbo de salsão cortados em lâminas grossas;
- 1 cenoura cortada em rodelas grossas
- 1 folha de loro
- pimenta do reino sal
- 1 cravo
- 1 pimenta dedo de moça, sem sementes
- cerca de 50 ml de azeite – ou o suficiente para forrar fundo da panela na qual vai cozer a carne
- 1 dose de cachaça
- água quente o suficiente para cobrir todo o conteúdo da panela

Modo de preparo
- Limpe bem a peça de patinho e tempere com sal e pimenta do reino
- Aqueça o azeite, coloque as folhas de loro e as pedaços de carne, selando bem todos os lados. Não mexer, apenas virar para dourar uniformemente
- acrescente os dentes de alho até sentir o perfume exalar
- a pimenta picada
- a cebola, até amolecer e, na seqüência, a cenoura e o alho poró
- mexa bem, e deixe cozer por cerca de 10 minutos em fogo baixo
- coloque a cachaça e raspe bem os grumos colados no fundo
- Acrescente a água quente. Tampe a panela de pressão e cozinhe em fogo baixo por cerca de 20 minutos após a pressão começar
- após este tempo, retire a pressão, abra a panela e mexa bem.
- confira o ponto da carne com um garfo. Se estiver bem macia, retire-os da panela e reserve
- coe o caldo do cozimento, e volte para o fogo até reduzir 50%, em fogo bem baixo
- Este caldo será utilizado para a finalização dos Fiori
- em uma frigideira de borda alta, aqueça 1 colher de manteiga e 4 de azeite. Doure o alho poro e o manjericão. Em seguida, as massas, delicadamente, de quatro em quatro, acrescentando um pouco do caldo reduzido.
- sirva em seguida, com parmesão ralado grosso, rapas de limão siciliano e tomilho limão.

 

Queijo de coalho além do espetinho

Salada com folhas frescas, tomate, queijo de coalho
Folhas colhidas da horta do Pastifício – desde as de beterraba aos brotos de couve –, tomates, salsão, manjericão e orégano fresco, foram incrementadas com queijo de coalho recém saído da grelha. Longe da italianíssima salada caprese, a delícia tricolor (por mero acaso) foi devorada, comida com as mãos.
Os nacos de carne assados também foram apreciados, mas a brasileiríssima salada teve seu momento de glória e brilhou num almoço informal, ao lado dos queridos Fanini e Lolô.

Típico do Nordeste brasileiro, o queijo de coalho ficou famoso ao ser vendido nas praias em espetinhos assados na brasa.  Atualmente é uma das vedetes dos churrascos de final de semana em todo o país, já que ele demora a derreter, ficando no ponto para o churrasquinho. Também figura com roupagens diversas desenvolvidas por profissionais de cozinha da alta a baixa gastronomia. Mas prove grelhado, com salada de folhas frescas. Não vai se arrepender!!!

domingo, 7 de outubro de 2012

Sinfonia do mar para um dia de calor


Parece óbvio, mas não é!!!!! Ao preparar esta fácil receita vai conferir que peixe fresco, sem espinhas - no caso pequenas pescadas frescas, cortadas em filés - enrolados com finas fatias de gengibre, raspas de limão e um naco de pancetta deixará o prato sensacional. 
Uma verdadeira explosão de sabores, já que o gengibre confere um frescor especial e a pancetta preserva as fatias de peixe úmidas, sem deixá-las gordurosas. Pode ser uma entrada ou prato principal, se servido com uma bela salada de folhas frescas regadas com azeite de oliva extra virgem. Esta receita já consta neste blog, mas neste dia de calor curitibano vale a pena degustá-la novamente.  
Ingredientes
- 6 filés  de pescada fresca pequenas (ou outro peixe sem espinhas – até uma ‘maria luiza’, sem bem limpa – no caso, com todos os espinhos removidos), que rendam filés de cerca de, no mínimo, 8 cm. Se for ‘maria luiza’, o tamanho é o ideal, já que são pequenos peixes, com leve sabor de mar...
O tamanho é essencial, já que será enrolada, com o recheio. E não deve ser muito grande para não perder a delicadeza do prato;
- 6 lâminas de gengibre, cortados em finos palitos, na longitudinal;
- 6 lâminas finíssimas de pancetta
Obs.: tanto o gengibre quanto a pancetta devem ser cortados de acordo com o tamanho do filé de peixe para que não fiquem sobras quando for enrolas;
-  raspas de limão siciliano;
- sal, pimenta do reino;
- 1 xícara de folhas de manjericão fresco;
- palitos de madeira para manter os filés fechados durante a fritura
- 200 ml de azeite para dourar os ‘Enroladitos’
Para empanar os ‘Enroladitos de peixe’:
- 1 xícara de farinha de trigo
- 1 xícara de farinha de rosca fresca
- 1 ovo batido  com 1 colher de água gelada e temperado com 1 pitada de sal
Modo de preparo:
- Cortar, à medida, o gengibre fresco; e a pancetta
- Temperar os filés de peixe com pimenta do reino, folhas de manjericão fresco e sal;
- Raspar a casca do limão em cada filé e dispor um naco de gengibre e um de pancetta na parte mais longa do peixe e enrolar. Prender a parte mais fina com um palito e reservar;
- após enrolar todos, passá-los rapidamente na farinha, no ovo (escorrer bem) e finalizar na farinha de rosca (de pão);
- Descansar 10 minutos;
- Aquecer uma panela de fundo grosso e colocar o azeite;
- após bem quente, dourar, de dois em dois, todos os lados dos enroladitos.
Servir imediatamente!!!

sábado, 6 de outubro de 2012

Comi todas as codornas


Confesso. Comi todas as codornas. E disputei-as com vó Maria. A mesma que escondia as bochechas do porco preparado por ela para ser servido nas noites festivas. Os nacos mais macios previamente separados, degustávamos juntas, escondidas na cozinha. Afinal, poucos apreciavam ver o suíno na mesa com a cabeça a postos. Da mesma forma, as pequenas aves. Mas, felizmente, era tradição. Amigos traziam para a vó dúzias e mais dúzias. Muitos também torciam o nariz para as minúsculas asinhas e coxinhas . E nós, comíamos satisfeitas. Desta feita, as codornas vieram direto do Clube de Pesca Vêneto. Eram para ser compartilhadas, mas quando me dei conta......tinham acabado. Meu cunhado, Luiz Fernando Krassuski, integrante da equipe de cozinheiros, mandou algumas para nós. Mas, confesso, haviam quatro delas, imersas num espesso molho de ervas. Não consegui parar de comer. Afinal, nos dias de hoje, comer codorna, cozida em seu próprio caldo, com sabor de ervas frescas, não é para qualquer um. Obrigada Luiz e ao Clube de Pesca Vêneto, que preserva tradições gastronômicas, que me fazem voltar no tempo.
Codorna Clube de Pesca Vêneto
Ingredientes:
- 1 dúzia de codornas
- 2 maços de manjerona
- 2 maços de salsinha, com talos
- 2 maços de cebolinha
- pimenta fresca, sem sementes, bem picada
- 2 cebolas picadas finamente
- vinho tinto
- sal
- suco de limão
- bacon cortado em pequenos cubos
- azeite de oliva

Modo de preparo
- Picar as ervas grosseiramente, misturá-las ao vinho e pimenta e reservar
- Limpar as codornas, abri-las delicadamente  e temperá-la com sal e limão, besuntando bem toda a ave
- Rechear as codornas com um punhado generoso da marinada de ervas e dois, três nacos de bacon agregados aos temperos
- Fechar cada uma delas com um palito para que o tempero fique preservado no interior das codornas
- em uma frigideiras de bordas altas, ou caldeirão de ferro, aquecer o azeite e dourar cada uma delas, em temperatura ambiente para que não resfriem o azeite
Finalização
- Em uma panela de fundo grosso, disponha as pequenas aves em camadas, intercalando com a marinada de ervas e nacos de bacon
- Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por cerca de 30 minutos, ou até que o peito da ave esteja macio e o caldo suculento e 'aveludado'.
O Clube de Pesca Vêneto serve a iguaria em eventos especiais, assim como outros quitutes tradicionais. 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O velho e o mar


Amado Cícero, que sempre estará em nossos corações
Foi em um dos mergulhos que diariamente me dava de presente, nos intervalos entre o mexer e remexer de panelas, que um senhor de barba branca e longa me olhou e prenunciou: “isso porque tu não conheces ainda as delícias do inverno de Zimbros”.  Era Cícero Dobner. Em primeira instância, para mim, era o  personagem de ‘O velho e o mar’ - obra de ficção de Hemingway.
O inverno chegou. E passamos a viver intensamente os encantos que a estação proporciona. Ele tinha razão. Quantos banquetes realizamos juntos, a 4, 6, 8...mãos. O resultado sempre surpreendia. Apesar do frio, os frutos do mar são mais abundantes e diversos, assim como as horas do dia, que parecem nunca ter fim. Então, ao lado de Tais, Mabel, Rafael e todos os ‘refugiados’ que moram naquele paraíso e se reúnem na Pousada Zimbros, agregávamos os ingredientes e, ......o festim iniciava.
Logo descobrimos que Cícero já havia sido ‘o homem do mar’, mas as circunstâncias da vida preservarem nele apenas a aparência.  
Ao lado da comunidade local e dos Dobner que, desde então, nos acolheram como se fossemos da família, sempre compartilhamos refeições memoráveis. O sustento dos encontros era resultado do trabalho dos verdadeiros homens do mar da comunidade zimbreira. Mas nossos pratos eram impregnados de sabor com as  iguarias por eles capturadas.
A especialidade do engenheiro Cícero na cozinha era a moqueca. Colocava num grande caldeirão os ingredientes escolhidos, cortados e servidos por Tais, sua esposa. Aliás, foi a primeira delícia que degustamos juntos. Já a última, foi em janeiro, um arroz de polvo, saboreada por ele com sua voracidade típica, como se nunca tivesse comido nada na vida. 
Hoje, recebemos a notícia que nosso grande amigo Cícero se foi. Mas, juntos com Taís, seus filhos Mabel e Rafael,  sua pequena neta Maria e todos os queridos integrantes da família de Maria de Zimbros (Taís), perpetuaremos para sempre as delícias do inverno de Zimbros.  E lembraremos para sempre de sua frase mais repetida, que vinha repleta de som e fúria: "o que tem para comer Tais'?


Cícero, Mabel e Rafael





Arroz de Polvo
300 grs de arroz branco
2 kg de polvo (dois polvos de cerca de 1 kg cada)
100 ml de azeite de oliva
3 cebolas picadas
1 lata de tomates pelados, com a polpa
caldo do cozimento do polvo – 1 xíc. de arroz para três de caldo
1 maço de brócolis – só as flores bem picadas
3 talos de aspargos frescos picados cozidos previamente no vapor por 5 minutos
1 pimenta dedo de moça sem sementes, bem picada
200 ml de vinho tinto seco
2 ovos cozidos picados
sal, pimenta do reino
páprica picante
Modo de Preparo – Lave o polvo muito bem em água corrente. Coloque-os numa panela de pressão cobrindo-os com água fria até cerca de 3 dedos acima dos moluscos. Após a panela pegar pressão, cozinhe 10 minutos e desligue. Retire o polvo, lave-os e retire a pele cuidando para não remover as ventosas. Corte os tentáculos em pedaços de 3 cm, preservando o rabo um pouco maior para decorar o prato. Reserve o caldo em que foi cozido.
À parte, em uma panela de fundo grosso e alta, aqueça parte do azeite e doure a cebola e a ‘dedo de moça’. Acrescente os tomates e a páprica e cozinhe por cerca de 15 minutos, até desmanchar bem. Acrescente o vinho, mais uns minutos até evaporar o álcool. Coloque 50% do polvo picado e, em seguida, o arroz. Refogue tudo mais uns 5 minutos e acrescente o caldo aos poucos, até o arroz estar ao dente. Coloque os demais pedaços do polvo e o aspargo picado. Não esqueça de reservar os rabos dos tentáculos. Desligue o fogo. Coloque tudo numa terrinê com o brócolis picado e o ovo. Regue com bastante azeite de oliva, tampe a terrine e coloque para aquecer no forno a 180°, por aproximadamente 10 minutos.

sábado, 15 de setembro de 2012

Doce dia com Bolo de laranja e amoras


“Como um doce deixa todos felizes, não 锿 Ao ouvir esta frase logo pela manhã - com o sol iluminando o jardim e com um bolo de laranja e amoras com duas variedades de geléias recém preparadas pelas minhas próprias mãos  - decidi que toda semana farei um bolo. Além da satisfação de poder oferecer às pessoas um ‘pedaço de felicidade’, havia passado a semana com a frase de Rita Lobo na cabeça: “Cheiro de bolo espalhando pela casa inteira tem o dom de transformar a cozinha”. Mas como não degusto nada com açúcar puro ‘nunca sobra tempo’ para prepará-los. Dia destes, queria supreender queridos amigos que nos visitaram, com uma sobremesa, no caso, um bolo,  mas...’não sobrou tempo’!!! Pena, a amada Gabi, boa de garfo que é, ia adorar. Mas, toda semana será semana de bolo, Gabi! Até porque é muito simples e rápido. Inspirei-me nas frutas frescas do quintal e em alguns ingredientes básicos que li em receitas variadas.
Ingredientes (para um bolo assado em forma inglesda nº 2 – perto de 15 fatias)
- 1 ½ xícara de farinha de trigo
- 1 colher de sopa de fermento para bolo (Royal)
- ½ xícara de manteiga derretida (no caso, clarificada)
- 2 ovos
- ½ xícara de amoras frescas
- Gomos de uma laranja, livres dos caroços e partes brancas
- 1 pitada de sal
- Manteiga para untar a forma
Modo de preparo do bolo
- Bater no liquidificador os ovos, manteiga e gomos de laranja
- à parte, peneirar a farinha e misturar com o fermento
- Juntar, delicadamente os ingredientes
- Depois de bem incorporados, colocar na forma untada.
- Distribuir as amoras por cima da massa. Elas irão afundar na mistura e vão proporcionar uma aparência linda
Assar por 30 minutos em forno aquecido, ou até que esteja dourado. Para ter certeza de que está assado, coloque um palito de madeira. Se sair sem resquícios de massa, está pronto.
Tire do forno e da forma.
Geléia de amoras:
- ½ kg de amoras frescas
- ½ xícara de chá de açúcar
- 1 pitada de pimenta calabresa em flocos
Modo de preparo
- Lave bem as amoras e disponha-as em um pano limpo que absorva toda a água
- Agregue o açúcar e deixe descansar por 15 minutos
- coloque em uma panela, agregue a pimenta e, em fogo baixo, cozinhe, mexendo com freqüência, por 30 minutos
Geléia de laranja:
- 5 laranjas descascadas, sem as partes brancas e livres de caroço
- ½ xícara de açúcar
- 1 pitada de cominho
Modo de preparo
- descascar as laranjas, extraindo todos os nacos branco;
- cortar em gomos e retirar o maior número de sementes que conseguir
- colocar em uma panela grande fundo grosso e cozer, em fogo baixo, por 15 minutos, mexendo regularmente;
- adicionar o açúca e o cominhor, mexer bem e deixar cozer por mais 30 minutos com a panela semi tampada;
Sirva fatias do bolo com uma colherada de cada geléia

Asinhas grelhadas: o naco de frango de dar água na boca


Suculenta paixão, o churrasco é sempre o campeão para encontros gastronômicos informais. E, para mim, no topo das delícias grelhadas estão as asinhas de frango. Bem temperadas e assadas corretamente - úmidas no interior e crocantes por fora - sempre são sucesso. Come-se com as mãos, queimando os dedos, mas o que vale é garantir seu naco de frango!!!!
Tempero para as asinhas de frango
- 1 kg de asinhas bem lavadas
- 2 pimentas frescas bem picadas (dedo de moça que é mais suave)
- Um punhado de alecrim picado
- um punhado de folhas de manjericão picado
- um punhado de tomilho limão
- 4 dentes de alho
- Azeite
- Limão (50%) da quantidade de azeite que usar
- sal
Pique tudo e besunte bem todas as asinhas. Deixe marinar por 1h na geladeira.
Tire da geladeira uns 15 minutos antes de irem para a grelha. assim, não terão um 'choque térmico' ao irem direto para o fogo
Grelhe, por 1h, com boa distância do carvão. De outra forma, vai secar. 

domingo, 9 de setembro de 2012

Terrine de pesto de nozes


De origem francesa, a terrine carrega, no próprio nome, sofisticação! O glamour de encontros campestres, de banquetes elaborados por Charlô Whately. Mas, desta feita, a nossa terrine só teve uma identidade: a da forma utilizada para o preparo - oval ou retangular, com tampa.
Feita com farinha de quibe, com recheio de pesto de nozes e cenoura, se tornou um prato leve e realmente uma guarnição, no caso, para nacos de carne  preparados na churrasqueira.  Me inspirei em uma receita da querida vizinha da Vila Ida, a Lili, que tem o dom para transformar ingredientes simples, à base de grãos e farinha, em iguarias.
Ingredientes:
- 200 gramas de trigo para quibe
- 1 cenoura ralada
- 200 ml de azeite de oliva
- 2 colheres de sementes de gergelim torrada
- sal a gosto
- 1 maço de menta bem picada
- Cerca de um litro de água fria
Modo de preparo
- cobrir a farinha para quibe com água e deixar descansar por 2 horas. A farinha vai absorver todo o líquido e dobrar de tamanho
- Temperá-la com sal, menta picada, gergelim e 50% do azeite
- Untar uma terrine com azeite
- distribuir uma camada de farinha para quibe já temperada
- Pressionar bem para que fique compacta
- distribuir a cenoura em uma camada homogênea
- No centro, colocar uma camada generosa de pesto de nozes
 - finalizar com o resto da farinha para quibe
- pressionar muito bem
- Tampar a terrine e assar em banho Maria por cerca de 30 minutos
- Deixar resfriar, retirar da forma e cortar, delicadamente, em fatias

Pesto de Nozes ou Creme de Nozes
Um punhado de nozes sem casca
Parmesão
Azeite de oliva
Triturar até obter consistência de um creme
Se desejar conservar em geladeira, cubra de azeite em vidro esterilizado

obs.: se não tiver uma terrine, use uma vasinha funda e cubra com papel alumínio fazendo alguns furos com um garfo.

sábado, 8 de setembro de 2012

Salmão e sapateiras para um sábado ensolarado

Apesar de optarmos por viver a vida ‘Zimbrera’ (em Zimbros) na contramão dos tradicionais feriados - nos dias em que a calmaria da vila toma conta do nosso cotidiano, tratamos de abastecer o freezer para que, ao menos, os sabores do nosso paraíso mediterrâneo fossem degustados na cidade. E, como prato principal, nacos de salmão levemente dourados e servidos com salsa verde e creme azedo. A entrada, bom a entrada foi descrita abaixo pela amiga Dani Araujo.
 "Gemidos do sábado a tarde: Ainda bem que vivi para saborear as Lagostas Sapateiras.
Imagine a cena – e de olhos  fechados: huuuuuuum, ahhhhhhh, huuuuuuuum, ahhhhhhh. Um milhão de brindes aos maravilhosos amigos e cozinheiros que me proporcionaram um onomaopéico e delícioso sábado".(colaboração de Dani Araujo, já um tanto alcoolizada de vinho branco num raro e caloroso sábado curitibano).

Receita e modo de preparo da lagosta sapateira:
- coloque as lagostas numa superfície horizontal, com a ‘barriga’ voltada para cima
- Com a palma da mão, aperte levemente a carapaça das lagostas para que possa remover a casca com mais facilidade
- Passa a faca na longitudinal, partindo da cabeça até o rabo
- Remova a casca delicadamente, que sairá inteira se o processo for bem elaborado.
- Preserve o rabo|
- Temperos com sal e pimenta do reino e passe azeite por todo o crustáceo

- Aqueça uma chapa sobre uma chama forte do fogão
- coloque as sapateiras e grelhe por 3 minutos de cada lado. Assim, ficaram os nacos da carne ficaram cremosos e com um sabor sem igual.

Para uma entrada, basta servir uma por pessoa. 
Receita e modo de preparo do salmão
- cartar o file na longitudinal, com uma faca bem afiada
- temperar o salmão com sal e besuntar com azeite
- grelhar os pedaços com a pela para baixo, sem mexer.
- quando vir que a cor começa a mudar, cerca de 5 minutos, sobre a pele, vire com uma espátula e finalize rapidamente. assim manterá a umidade no interior do peixe. quando servir, sentira que pode comer até com as mãos, caa naco do salmão.
Sirva com lâminas finas de rabanete regado com creme azedo.
finalize o salmão com salsa verde.
Receita de Creme azedo
- 100 gramas de iogurte desnatado
- 200 gramas de nata
- um punhado de endro fresco
- suco de meio limão

Modo de preparo
- agregar a nata e o iogurte com um mixer até obter a conscistência de um creme leve e homogêneo

- agregar o suco de limão
- Misturar e finalizar com as raspas de limão e o endro finamente picado
 Receita de salsa Verde
- 1/2 xícara de azeite
- 1 pimenta dedo de moça, com semente, cortada em lâminas
- 1 punhado de salsa bem picada 

- 1 punhado de manjericão macerado num almofariz.
- 1 pepino em conserva bem picado
- 2 mini cebolas em conserva 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Merendeira exemplar



Vó Maria acaba de completar 86 anos. Destes, 31 foram dedicados a preparar refeições muitas vezes menosprezadas, mas que tem enorme valor para crianças carentes: a Merenda Escolar, hoje denominada ‘Alimentação Escolar’. Os alimentos preparados pela vó com esmero e cuidado tinham a intenção de nutrir os pequenos não só durante as aulas. Infelizmente, na maioria dos casos, até o próximo dia, já que para a maior parte dos inesquecíveis 473 alunos era a única refeição do dia. À época, se fazia fila e cada um levava sua caneca. “Tinha uma que levava um ‘bulinho’ para encher até a boca e não precisar entrar na fila mais de uma vez”, lembra. Até nós (eu e minhas duas irmãs), quando a vó permitia, ficávamos a postos para conferir se alguma delícia havia restado.
No cardápio - além dos ingredientes recebidos para o preparo - couve, batata, temperos frescos... levados por ela da própria horta enriqueciam o sabor e agregavam nutrientes. “No dia em que a vó fazia charque desfiado, com feijão e macarrão até as professoras não resistiam e se esbaldavam. No final da tarde, todas queriam saber qual era o cardápio do próximo dia”. Entre as opções mais disputadas, além do macarrão com charque, polenta com couve; feijão com arroz; e a sopa com legumes da horta. “No dia da sopa, além dos legumes que levava, pedia para cada um levar um dentinho de alho, ou uma batata ou cenoura, da horta. Com isso, tinha semanas que conseguia deixar a comida ainda mais gostosa por uma semana inteirinha”, lembra vó Maria.
Em um bairro (Pilarzinho) – naquele tempo composto por uma população extremamente pobre - a vó não esquecia das crianças (em sua maioria entre 5 a 10 anos) com irmãos que não tinham o mesmo privilégio. “Era proibido, mesmo que sobrasse comida, dar para as crianças levarem para a casa. Lembro da Roseli, então com dez anos, que tinha seis irmãos. Eu falava para ela levar todos para a escola e no final da aula, dividia um pouquinho da merenda para cada um deles. Iam embora saltitando”.Hoje em dia, me contaram que os copinhos de plástico são distribuídos na sala de aula, e pela metade. E sabe lá como são feitos. Como era bom alimentar aquelas crianças”. Com relatos como o da merendeira vó Maria se torna mais fácil vislumbrar refeições saudáveis, coloridas e alegres para as crianças. Afinal, as filas da Merenda Escolar acabaram!!!!!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Vida simples e saborosa


Relíquias da natureza vindas do mar de Zimbros
Camarões Pintado crocantes
Camarões, peixes de nomes esquisitos (prejereva, solha, sororoca, truta arco-iris, Maria luizas....), ostras, mariscos desfilam na mesa. 
Maricos na salsa de pimenta dedo de moça

E não se trata de nenhum restaurante de alta ‘catigoria’. Apenas mais uma temporada, de um final de semana, em Zimbros – nosso mediterrâneo. Entre dezenas de ‘tarrrrrrde’....de vizinhos que se tornaram nossa família ‘zimbreira’, degustamos camorões Pintado e filezinhos de Maria Luiza.
Os crustáceos apareceram na Peixaria do Joel. “Raros”, disse. O peixinho, trazido nas redes de seu Cido e “pescados” do freezer da vizinha Benta, que com maestria limpou-os um a um, deixando-os prontos para aquele choque quente na frigideira.  Para a captura das ostras frescas, alguns metros andados à beira mar. Aqui, não há tempo ruim, já que os raios de sol iluminam tudo e todos mesmo com o céu repleto de nuvens. O cenário foi traçado, o cardápio apresentado e as delícias degustadas à espera da próxima refeição.